As Obras da Carne

É impossível o ser humano manter uma comunhão com Deus, enquanto não tiver modificado o seu caráter egocêntrico, e isso, por conseguinte, também é impossível sem a atuação do Espírito de Deus. Se desejamos ter o caráter do Senhor Jesus Cristo, precisamos do Seu Espírito, pois Ele, nesse ofício, se empenha para formar em nós a imagem de Deus, que fora destruída desde a expulsão do homem do Jardim do Éden.

Para que possamos obter a imagem de Deus, é imperiosa a necessidade de mantermos a nossa carne sepultada, isto é, subjugadas todas as nossas concupiscências, quer da carne, quer dos olhos. O apetite carnal desenfreado impede-nos da comunhão com Deus. Muitas vezes, quando o cristão cai em pecado, a primeira reação é reiniciar a leitura da Bíblia e orar, o que naturalmente é correto. Entretanto, é preciso muito mais do que isso para se vencer os obstáculos à fé. É necessário, antes de tudo, manter atitudes cristãs. O Espírito Santo jamais nos impedirá de produzir obras carnais, mas nos alerta no momento preciso quanto à manifestação das paixões desenfreadas da carne que, conforme o apóstolo Paulo enumera em Galátas 5.19-21, são:

Obras da Carne - 01 Prostituição

Muito embora a prostituição esteja relacionada mais com o sexo desmoralizado, ainda assim, ela vai bem mais além. O sentido original do termo, realmente, significa a prática comercial do sexo, mas também pode significar a prostituição espiritual, que é a comercialização da fé, ou seja, utilizar a fé cristã para benefícios próprios.

São muitos os que, sem o mínimo interesse pela vida espiritual do povo, fazem questão de lhe transmitir a fé cristã, apenas com o intuito de não ficar desempregado, o que é, também, um tipo de prostituição, pois existe a corrupção, a infidelidade para com o Senhor Jesus e a hipocrisia.

Obras da Carne - 02 Impureza

No Antigo Testamento, qualquer pessoa que tocasse num leproso, cadáver ou em um animal considerado imundo, era considerada impura. Certamente que o apóstolo Paulo não está considerando esse tipo de impureza, mas sim os diversos vícios sexuais que eram praticados naquela comunidade. Embora ele não tenha definido que tipos de vícios eram, supõe-se que, dentre eles, se referia à homossexualidade e ao abuso das funções sexuais, que corrompem o indivíduo a ponto de torná-lo espiritualmente impuro.

Definir a impureza sexual é muito difícil, haja vista que depende muito da consciência de cada um. O mesmo apóstolo afirma:

“Tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência até ao dia de hoje.” Atos 23.1

Acreditamos que, a partir do momento em que a nossa consciência nos acusa de qualquer ato praticado, quer seja sexual ou não, saímos do estado de pureza para a impureza, e isto é condenável por parte do próprio Espírito Santo, que faz em nós o Seu templo, a Sua habitação.

Obras da Carne - 03 Lascívia

O original deste termo significa licenciosidade ou sexualidade exagerada. Também cabe aqui a definição de devassidão. Cremos estar em pauta a conduta de completa e total liberdade na prática sexual sem nenhuma restrição. É a carne sendo satisfeita em toda a sua plenitude o que, certamente, é contrário à lei do Espírito Santo, que requer de cada um de nós atitudes temperantes sob todos os aspectos.

Obras da Carne - 04 Idolatria

Os judeus consideravam a idolatria, o pecado básico da corrupção humana: aquele que alienava totalmente o Criador da criatura. A idolatria representa o culto a qualquer ser ou coisa; ela pode ser cultivada no lar, como ídolos de pau, barro ou metal; pode ser um simples objeto de arte; um ente querido, como um filho ou neto, mulher ou marido, namorado etc., e tudo o que for motivo de primeiro amor e adoração, que não seja o Senhor Jesus, o Pai ou o Espírito Santo.

Nos dias atuais, notamos que as pessoas custam a ter um encontro com Deus, simplesmente pelo fato de demorarem a renunciar aos seus ídolos que, na maioria das vezes, se revelam como sendo a sua própria religião. Os cristãos primitivos faziam questão de recusar todo e qualquer tipo de culto ou adoração que não fosse somente a Deus, na pessoa do Senhor Jesus Cristo. A idolatria é mais um fruto da carne ou da vontade do homem que se mantém rebelde à vontade de Deus.

Obras da Carne - 05 Feitiçaria

A origem desta palavra faz alusão a drogas de qualquer espécie, que eram usadas nas práticas de magias, bruxarias e encantamento pelas feiticeiras ou bruxas.

A Lei mosaica mostrava-se extremamente severa nesse particular, exigindo a pena de morte para os que tais coisas praticavam. Veja, por exemplo, o caso de Saul, quando foi visitar a médium de En-Dor (leia 1 Samuel 15-28).

A experiência nos mostra que tais práticas são verdadeiros atentados contra o próprio Deus, tendo em vista que a feiticeira dá uma clara demonstração de submissão aos espíritos enganadores, a demônios e, sobretudo, ao diabo.

Obras da Carne - 06 Inimizade

Este sentimento é pernicioso e muito praticado em todas as sociedades, mesmo dentro da própria Igreja, e demonstra um total e completo desconhecimento do próprio Deus, que é amor. Aqueles que nutrem tais sentimentos estão contrariando a fé cristã. O Senhor Jesus fez sérias advertências para aqueles que se conduzem dessa forma, afirmando que se nós não perdoamos aos nossos devedores, tampouco o Pai celeste perdoará as nossas ofensas.

E são justamente as inimizades existentes no meio cristão que tornam a Igreja fraca e vulnerável às investidas do diabo. Quem mantém este sentimento para com o seu irmão, faz transparecer logo os seus objetivos mesquinhos e carnais.

Obras da Carne - 07 Contenda

Também traduzida por “porfia”, trata da atitude mental hostil que cria os mais inesperados problemas entre as pessoas, resultando em dissensões e divisões. O mesmo que discórdia, é caracterizada pela atitude ambiciosa do coração daqueles que detêm os frutos da carne em detrimento dos do Espírito Santo.

Obras da Carne - 08 Ciúme

Traduzido do original por inveja, apresenta-se através de um desejo intenso pela vantagem pessoal, com a degradação das realizações e qualidades dos outros. Naturalmente a inveja é uma forma de egoísmo que avalia o alheio como inferior, que deseja o mal e não o bem ao seu próximo.

Obras da Carne - 09 Ira

É muito provável que o Espírito Santo esteja fazendo alusão ao mau temperamento ou às constantes explosões de ira que criam hostilidades entre os semelhantes. Esse tipo de sentimento é a causa de muitos conflitos pessoais, domésticos e religiosos; portanto, contraria a ação do Espírito Santo. Tal emoção solapa e destrói o espírito de amor cristão. Transforma em adversários aqueles que deveriam amar-se mutuamente.

Obras da Carne - 10 Discórdia

Significa facção ou espírito partidário, que são formas pelas quais se manifestam o egoísmo humano e carnal, totalmente antibíblico. Desta característica, surgem as rebeliões; e a rebelião é como o pecado de feitiçaria (1 Samuel 15.23). O apóstolo Paulo admoesta os cristãos romanos no seguinte: “Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e
escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles, porque esses tais não servem a Cristo, nosso Senhor, e sim a seu próprio ventre; e, com suaves palavras e lisonjas, enganam o coração dos incautos.” Romanos 16.17,18

A discórdia na igreja a torna dividida, fracionada e, conseqüentemente, resulta em falta de resistência, pois o próprio Senhor Jesus afirmou:

“…Todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá.” Mateus 12.25

A razão pela qual muitas igrejas estão em flagrante declínio deve-se à existência de partidarismos dentro delas. É importante que todos nós falemos a mesma coisa; que concordemos entre nós, de tal forma, que a nossa unidade também seja confirmada lá no Céu. O causador de discórdias é como a lepra, que vai minando e contaminando todo o corpo, até que todos fiquem leprosos.
O cristão, antes de tudo, é um servo; vive apenas para servir, e nada mais além disso. A partir do momento em que se recusa a servir, logo vem sobre ele um espírito egoísta, e daí o espírito do anticristo inicia no seu interior uma série de querelas com o único objetivo de destruir, tal qual fez Lúcifer no céu. Portanto, procuremos nos resguardar desse fruto ou obra da carne; e mais, o expulsemos do nosso meio para que não contamine todo o corpo.

Obras da Carne - 11 Dissensão

A dissensão está inclusa no parágrafo anterior e apenas soma-se a ela o fato de que há, além da discórdia, um trabalho de seduzir outras pessoas a discordarem também. Quer dizer: o que promove dissensões é um sedutor de outros para o seu próprio partido; um semeador da discórdia.

Obras da Carne - 12 Facção

A tradução mais literal seria “heresia”, mas que, neste passo bíblico, indica um espírito faccioso. As diferenças de opiniões podem ser úteis, inúteis e destrutivas, dependendo tão-somente de sua natureza, porém as ideias e ambições rivais tendem à formação de partidos ou divisões na vida dos cristãos. Essa é a atitude, nesse ponto, que Paulo condena: a rivalidade baseada no puro egoísmo e que produz divisões. Por exemplo: quando a Igreja Primitiva iniciou o seu ministério, os judeus a denominavam de “a seita dos nazarenos”. Da mesma forma, se hoje surge em nosso meio alguém com uma “inspiração” contrária às Escrituras Sagradas e, portanto, aos costumes cristãos, então, temos uma facção ou heresia, que, se não for eliminada, poderá criar
sérios problemas.

É o caso de certas “profecias” nos moldes pentecostais convencionais; ou visões e revelações que surgem dentre aqueles que desconhecem totalmente o que significam. Certamente, o faccioso jamais aceitará a sã doutrina por ser carnal e insubmisso.

Obras da Carne - 13 Inveja

A inveja é, por excelência, um sentimento de dor e fracasso diante do sucesso alheio. É a mais vil paixão e a menos passível de cura, dentre todas quantas desgraçam a alma decaída.

Os trechos de Mateus 27.18 e Marcos 15.10 dizem que, por inveja, é que os adversários do Senhor Jesus O entregaram a Pilatos. Por aí podemos tirar as conclusões do que significa possuir tal sentimento.

Obras da Carne - 14 Bebedice

A bebedice, a que o apóstolo Paulo trata aqui, é o alcoolismo causado pelo excessivo uso de bebidas fortes ou alcoólicas. A bebedice é um excesso extremamente prejudicial ao corpo, o que seria suficiente para levar essa condição a ocupar lugar entre as obras da carne. Alem do mais, conforme se sabe, o alcoolismo leva os indivíduos a diversos outros vícios, simplesmente porque remove as inibições naturais, deixando-o livre para praticar os atos mais degradantes.

Obras da Carne - 15 Glutonaria

Era muito comum naqueles dias, em festividades, os indivíduos sentarem-se à mesa e comerem até não poder mais; então, colocavam o dedo na garganta e vomitavam para depois continuarem a comer… Este espírito desenfreado denotava o caráter humano que satisfazia à concupiscência dos olhos a qualquer preço. Não resta a menor dúvida de que o glutão, além de ser mal educado, é também carnal, pois se mostra excesso para comer, também o faz para outras coisas. Aliás, foi por isso mesmo que o apóstolo Paulo fez severas advertências à igreja de Corinto, por ocasião da Santa Ceia: 

“Nisto, porém, que vos prescrevo, não vos louvo, porquanto vos ajuntais não para melhor, e sim para pior. (…) Porque, ao comerdes, cada um toma, antecipadamente, a sua própria ceia; e há quem tenha fome, ao passo que há também quem se embriague.”1 Coríntios 11.17-21

A Santa Ceia do Senhor acabava dando motivos a escândalos e divisões: havia ingestão excessiva de alimentos e vinho antes da Santa Ceia; os pobres eram desprezados e, com frequência, saíam famintos do banquete, sendo assim humilhados. Outros membros da Igreja de Corinto também comiam e bebiam de maneira profana, praticando todo tipo de pecado, sendo isso suficiente
para desqualificá-los à Santa Ceia.

Por isso, as advertências de Paulo eram rigorosas, haja vista a glutonaria e a bebedice existentes naquela Igreja. Exatamente por causa disso é que havia entre eles muitos fracos e doentes, e não poucos tinham morrido (versículo 30). Essas obras da carne e outras tantas semelhantes são passíveis da perda da salvação, conforme o Espírito Santo ensina, através de Paulo:

“Eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais cousas praticam.” Gálatas 5.21

Apesar de tomarmos conhecimento das obras da carne, isso não é suficiente para nos livrar delas, pois o conhecer não nos livra do mal, e sim as atitudes tomadas em relação a ele. Temos, por obrigação, que aplicar todos esses conhecimentos em nossas vidas e procurarmos nos disciplinar, para mantermos a nossa consciência limpa, a fim de sermos vasos limpos, para a glória do Senhor Jesus Cristo, no poder do Espírito Santo.

(*) Texto retirado do livro “As Obras da Carne e os Frutos do Espírito”, do bispo Edir Macedo

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