Um sonho

Sonhei, certa vez, que me encontrava no Céu, embora não soubesse quando nem como lá chegara. Eu estava no meio de uma grande multidão, que homem algum podia contar, de todas as nações, gentes e épocas. Espantado, dirigi-me ao homem que estava mais próximo e lhe perguntei:

– Quem é o irmão?
– Estou aqui há muitos e muitos anos – respondeu o homem. E continuou:
– Eu vivi nos dias do apóstolo Paulo; fui um dos que morreram nas perseguições de Nero. Cobriram-me de alcatrão, fui preso a uma estaca e queimado para iluminar os jardins do imperador.
– Coisa horrível! – exclamei.
– Não! Retrucou o homem. Foi uma bênção poder sofrer algo por Jesus Cristo. Ele morreu na cruz por mim e hoje gozo da graça de estar aqui…
– E o senhor? – indaguei desta vez a outro habitante daquela luminosa cidade celestial, feita de ouro e portais de pérolas.
– Estou aqui há apenas algumas centenas de anos. Venho de uma ilha dos mares do Sul. Um missionário foi até lá e falou-me de Jesus, e eu também aprendi a amá-Lo. Os meus conterrâneos mataram o missionário, deram-me um golpe na cabeça, cozinharam-me e comeram-me.
– Terrível! – lamentei.
– Não! – respondeu o homem.
– Na verdade também foi para mim uma bênção morrer como cristão. É que o missionário contara-me haver Jesus sido açoitado e coroado de espinhos por minha causa. E o irmão? – questionou-me.
– O que fez por Jesus?
Nada pude dizer. Durante toda a minha vida, pouco dera para Jesus, e do Divino Mestre só recebera bênçãos sem fim. Lembrei-me de minhas orações plenas de pedidos, que Jesus rotineiramente atendia.

Lembrei-me de que Ele sempre fora o meu Refúgio e a minha Fortaleza, sempre presente nas horas de tribulações; vieram-me à lembrança o sorriso de um ente querido que Jesus tinha curado, e as libertações que eu havia testemunhado na igreja.

Recordei-me dos apelos dos pastores e das mil e uma “implicações” que jamais me permitiram aderir ao pagamento do dízimo para a Obra do Criador, e das pequenas ofertas que avaramente eu fazia pingar naquela sacola, que preferia não ver, e que mal possibilitariam a um missionário pregar além da esquina.
Enfim, lembrei-me de tudo, do que recebi e do que não dei. Senti-me ingrato e omisso.
E acordei. E chorei…

Imagem: Shutterstock

Thiago Teixeira

Idealizou o Filhos da Fé junto de seu amigo, Amaury. Desenvolve seu talento diariamente em prol do amor as almas. | Email: thiago@filhosdafe.blog.br

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